Pular para o conteúdo principal

o melhor livro de astrologia dos últimos tempos.

Você, leitor que começa a se interessar em astrologia, está diante de uma chance única de começar a aprender a arte da melhor forma possível. Nesse artigo, eu apresento um link com o download para o melhor livro de astrologia medieval com o qual eu me deparei nos últimos tempos.

Acho que não estou exagerando. Invejo quem começaria a estudar astrologia pelo que vou apresentar nesse artigo. Se em 2003, ano em que comecei a me interessar por astrologia, alguém me oferecesse esse livro, teria poupado minhas retinas de uma colossal quantidade de lixo.

Talvez, por ainda não ter visto tanto lixo, eu não saberia valorizar o momento em que me deparo com uma obra como essa. Valorizando ou não, se tivesse essa obra nas minhas mãos inexperientes em 2003, teria começado a estudar astrologia em alicerces sólidos o bastante para que deles eu não saísse nunca mais.

Livros bons, trabalho árduo (para obtê-los) 

A astrologia praticada de forma mais aprofundada é um saber não tão popular quanto se pensa. Numa livraria brasileira, você acha vários livros de astrologia, menos o que você quer.

Na maioria dos ramos do conhecimento científico, há um ou dois grandes livros de referência, muito bons, usados pela maioria dos profissionais. Devido à popularidade, qualquer livraria os vende. Assim, em qualquer livraria que se preza, médicos podem comprar o Harrisson (livro texto de Clínica Médica), ou o Kaplan (livro texto de psiquiatria). Mas astrologia não funciona assim.

Sendo um saber que não reflete o Zeitgeist (o espírito dos tempos) atual, os bons livros de astrologia foram encobertos pela areia do tempo, e só podem ser encontrados nas prateleiras de uma biblioteca de uma universidade que possua a cadeira de história das ciências.

Sim, hoje em dia se estuda astrologia na universidade, mas com distanciamento crítico: ninguém interpreta mapas, mas apenas querem entender como o homem medieval pensava, quais eram os métodos para formular o conhecimento das ciências do seu tempo.

O que aconteceu no final do século XX e início do século XXI, é que alguns desses livros pouco a pouco saíram das universidades e foram publicados por editoras esotéricas. Alguns loucos, como eu, tiveram a audácia de cometer o anacronismo histórico de praticar astrologia medieval na contemporaneidade.

Infelizmente, nem todos os livros saíram das universidades. Esses, você tem de "laçar" indo até seus departamentos, ou buscando edições esgotadas no Abebooks ou na Amazon. É o caso do livro desse artigo.


Pequena crônica de um livro temporariamente esquecido.


Essa história é muito parecida com as de tantos outros livros que, fortuitamente, foram parar na minha estante.

Sempre alguém tem um livro que você não tem e não pode conseguir facilmente. Não foi diferente com esse: Steven Birchfield, um dos melhores astrólogos com o qual me deparei na vida, um engenheiro norte-americano radicado na noruega, o conseguiu e, eventualmente, o citava em artigos de astrologia.

"Se Steven gosta, então deve ser bom". Segui durante anos esse lema, e sempre deu certo. Todo o maldito livro que esse danado do Steven gosta de usar eu leio e acabo adorando. Portanto, não seria surpresa deduzir que uma curiosidade, além da habitual invejinha master, se apoderara de mim, mas resisti bravamente, tentando conseguir o livro de formas dignas.

O livro era uma publicação de ciências humanas (mais especificamente, de história das ciências), daquelas que só se consegue na casa publicadora da universidade do pesquisador que o traduziu. Michio Yano, seu tradutor, se formou na Brown University e foi aluno do fabuloso professor de história das ciências, David Pingree; entretanto, no momento em que traduziu a obra do árabe medieval para o português, ele pertencia à universidade de Tóquio.

Procurei a universidade de Tóquio na internet, e vi que não o conseguiria. Restou, para mim, a resignação de esperar alguma alma uploadear esse livro, ou de algum editor publicá-lo nos EUA. Assim, eu poderia obtê-lo pela Amazon ou pelo Astroamerica.

Mas a vida é assim: quando a gente não consegue algo tomado por nós como valiosíssimo, tende a se distrair com outras coisas, e lentamente perde o interesse, a ponto de se esquecer do que tanto cobiçou.  É o ciclo da vida. Felizmente, é assim, senão, já adultos, ainda estaríamos perdidos de amor pela menina do colégio.

Subitamente, a coisa que você mais valorizou numa época aparece diante dos seus olhos. E de graça:

Enfim, o maldito download

Kushyar ibn Labban's introduction to Astrology (clique para acessar o livro)

Esse astrólogo viveu aproximadamente no século XI d.C. Não é citado no Fihrist (um catálogo árabe no qual se registra autores de vários ramos do conhecimento, incluindo astrologia e astronomia) porque sua obra floresceu depois da publicação do catálogo. Caso contrário, com certeza constaria.

Kushyar, filho de Labban (daí o nome) ficou mais conhecido pelas suas obras de astronomia, mas sua introdução à astrologia foi muito copiada no oriente, merecendo até uma tradução chinesa.

Ter um livro tão difundido assim não é mera coincidência. As minhas retinas, cansadas de tanta repetição, vêem à frente uma robusta introdução à astrologia.

Kushyar traz o espírito matemático da astronomia também para a astrologia. Ele é coeso, sintético e, devido a isso, torna sua obra densa. Nunca se viu tantos conceitos numa mesma página, porém explicados de uma forma concisa, mas de fácil entendimento. Num só livro, ele conseguiu reunir a introdução à astrologia, uma parte de astrologia natal (incluindo instruções de intiha e tasir, ou seja, profecção e direções), uma de mundana e uma de eletiva!

Apesar de se basear em Abu Ma'Shar e em Ptolomeu - como a maioria dos que o antecederam, Kushyar chama atenção pelas diferenças no modo como aborda alguns temas, como os significados das casas. Além de levar em conta os significados já manjados, ele é o autor que mais se aproxima da essência dos significados das casas. Isso pode ser percebido em trechos como esse:
O quarto local indica a origem pelo qual se traz esse começo (o Ascendente). Diz-se que significa o local dos pais, avós, chefes dentre os membros da casa, reis, imóveis, e o fim das coisas.
 Ou seja, além de revelar os significados mais comuns das casas, ele também revela significados mais flexíveis, metafísicos. Por exemplo, numa eletiva de inauguração de um projeto, saber que a casa 4 indica terra pode não ser útil - principalmente se o projeto for abstrato e não tiver uma sede fixa. Nesse caso, é melhor saber que a casa 4 indica a origem do projeto.

Além disso, observe que a flexibilidade não se restringe a tornar os significados das casas mais abstratos. Ao considerar que a casa 4 significa os "chefes dentre os membros da casa", Kushyar traz uma relativização dos objetos representados pela casa 4, que depende do significado que eles possuem no contexto onde o nativo nasce. Se o nativo nasce numa casa onde a mãe é a chefe, será que podemos considerá-la como sendo representada pela casa 4? É uma questão interessante cuja resposta não tenho no momento.

Para sabermos algumas respostas a enigmas como esse, precisamos ter o mesmo espírito que o autor, revelado nesse trecho:
Sobre a posição dos planetas nas casas, alguns concordam que se a distância entre um planeta e os graus da casa na direção dos signos for maior do que cinco graus, ele está no 12° signo dessa casa e, se for menor do que cinco graus, ele está nessa casa. Provas são necessárias para essa opinião; caso contrário, está longe de ser deduzida. Não tenho razões para aceitá-la sem testar.
Teste Kushyar. Vale a pena.

Comentários

  1. OBRIGADA MESMO por compartilhar. Eu estou aos poucos estudando astrologia e vejo que nessa área tem muito "joio misturado ao trigo", INFELIZMENTE...

    ResponderExcluir
  2. Baixado! Valeu :D
    Pena que não tem nada sobre horária... sabe de algum livro pra baixar bom pra horária sem ser do Lily?

    ResponderExcluir
  3. Boa noite Rodolfo
    Complementando seu artigo quero mencionar dois livros recentes e em Português, escritos por Clélia Romano:
    "Fundamentos da Astrologia Tradicional" que eu achei muito bom e
    "Astrologia Tradicional na Prãtica", recém lançado, o qual estou lendo e achando muito instrutivo e prático.
    Abraços,Mihail

    ResponderExcluir
  4. gostaria de um livro serio de astrologia onde o escritor fosse versado em ocultismo e em portugues...alguma dica?
    ricardo.rss@bol.com.br

    ResponderExcluir
  5. muito bom! sou iniciante, e estou na fase de ler os lixos, rsrsrsr.

    Eu te perguntaria porque vc não se interessou pela astrologia chinesa. E é tão restrito aqui no Brasil. Pelo menos tenho gostado muito da Medicina Tradicional Chinesa, e não sei se a astrologia tem ligação...

    Por fim, tens como confeccionar um artigo sobre os grandes livros que vc leu, assim como os grandes lixos na astrologia? Seria uma delícia!

    absssss do Sul

    Cesar

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…