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não sou bagageiro pra aguentar mala: um estudo astrológico sobre os chatos

Como se pode definir uma pessoa chata? A chatice pode ter várias definições, pois depende de gostos e tolerâncias pessoais. Se uma pessoa detesta gente reclamona, achará os mesmos chatos.

A ausência de um absoluto sobre a chatice, portanto, nos faz crâ-la como relativa, circunstancial ao que dela se queixa. Por esse viés, a melhor maneira de se estudar pessoas chatas não seria olhando o mapa natal da mesma, mas sim a sinastria entre ela e o sofredor.

Por outro lado, há o chato de galochas, o mala sem alça que tem um número grande de desafetos, estes sem a coragem de ressaltar seus defeitos em público. Ele passa incólume entre as rodas, com uma estranha sensação de inadequação, pois a chatice é falta moral que não pode ser apontada, não sendo pecado nem vício mas, tal qual um espinho na carne, sobra de incômodos quem a sente.

Decerto que não há sinastria o suficente para definir ser tão insuportável, há que se pensar em alguma outra coisa a respeito. Nesse caso, se pensarmos na chatice enquanto oposta ao carisma, ela poderia ser encontrada no mapa natal.

Indicadores de popularidade

Fama não é o oposto de chatice, mas sim de obscurantismo. Pessoas dolcíssimas passarão pela face da Terra sem serem notadas, e seres insuportáveis terão bustos nas praças de cidadezinhas brasileiras. A chatice é uma variável independente da fama. Há gente famosa e bastante afável, e vice-versa.

Há seres humanos que encantam quem os contacta. São pessoas afáveis no trato, que fazem seus interlocutores se sentirem bem. Escutam muito, falam pouco e, quando falam, trazem uma palavra de conforto. Tais pessoas não são necessariamente famosas, mas se tornam benditas nos meios que frequentam. Há que se ter algum indicador astrológico para representar essa afabilidade, e é claro que temos um.

Os benéficos tendem a facilitar tudo, inclusive as relações pessoais. Pessoas com mercúrio - o significador de discussão - agraciado com aspectos de benéficos (ou em signos de benéficos) são menos propensas a se ater em discussões inúteis. Pessoas com essas configurações, portanto, tem menos risco de serem consideradas chatas.

Além disso, o temperamento é importante. Coléricos podem ficar numa discussão só pelo prazer. Com o tempo, isso fica chato. Melancólicos não dão respaldo aos outros numa conversa do tipo “confessionário”. Isto porque sentem dificuldade em ter empatia.

Sanguíneos e fleumáticos tendem a ser boas companhias. Os fleumáticos são tão silenciosos que muitas pessoas podem gostar dos mesmos "de graça”, projetando neles predicados que talvez nem sejam verdadeiros. São bons ouvidos. Os sanguíneos sempre falam o que o outro quer ouvir.

A chatice relativa - aquela dependente da sinastria - ressalta que temperamentos muito diferentes podem se achar chatos devido ao atrito das prioridades. Um colérico pode não suportar seres ditos “grudentos”, que desejam fazer tudo junto com ele. Coléricos gostam de independência, coisa que fleumáticos e melancólicos podem taxar de egoísmo. Com o passar dos anos, um colérico que se relaciona com um fleumático pode achá-lo insuportavelmente grudento, enquanto este passará a achar demasiadamente chatos os sumiços do colérico.

A chatice mediada por doenças da mente.

Distimia é uma depressão crônica de baixa intensidade, sendo a sua principal característica o mal humor. As pessoas mais íntimas do distímico tendem a sofrer, convivendo com um ser humano que acha tudo um saco e não vê graça em nenhuma experiência compartilhada que envolva algum esforço pessoal para ser concretizada (o distímico pode rir de piadas porque elas não requerem esforço, mas é só).

As pessoas que estão de fora não sentem muito a chatice do distímico se ele tiver algum senso crítico, pois vai tentar esconder isso ao máximo. Entretanto, os familiares, uma hora ou outra, vão degustar a bilis negra desse ser sofredor.

Aqui vemos a chatice como fruto de uma doença insidiosa, que pode ser representada de várias formas no mapa astrológico. Eu tenho distimia, o que pode ser uma surpresa para muitas pessoas que me lêem. Mas, como eu disse, o distímico com semancol tenta esconder sua chatice.

A distimia é uma doença que se confunde com a trajetória do paciente. Ele não sabe ao certo quando a mesma começou, apenas consegue identificar seus picos de atividade. Uma doença com tamanha extensão quase se confunde com a personalidade, e por isso o aspecto de saturno ao Ascendente pode ser uma boa maneira de representá-la, principalmente se Saturno não tiver nenhuma familiaridade com o signo que ascende - o que mostra que, originalmente, Saturno não é algo familiar ao corpo/mente pessoa, mas sim extemporâneo e patológico.

No meu mapa natal, Saturno faz uma oposição exata ao Ascendente Áries, signo da sua queda. Isso significa que eu, quando saudável, tenho um temperamento bem diferente das qualidades Saturninas, boas e ruins.

Conclusão

Segundo a astrologia, o autor desse artigo pode ser muito chato. Estranhamente, isso é corroborado pela mulher do autor, como testemunho adicional…

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